“Al-Hain” ”Alham” ”Olham”
Olhão da Restauração
Olhão da Restauração
POR BECOS E TRAVESSAS…
Por becos e travessas tenho andado,
Onde mal cabem duas pessoas lado a lado,
E o sol não tem ordem p’ra entrar…
E quantas mais vezes por lá vou passando,
Mais penso nos que estiveram cá morando,
Que riram… mas que também sabiam chorar.
Suas casas são paredes-meias, bem encostadinhas,
Onde de manhã se viam os vizinhos e as vizinhas,
E donde, p’rá faina da pesca, partiam apressados…
Em casa, ficavam as mulheres tratando da criançada,
E da janta p’rá família, que regressava esfomeada,
Ás vezes tristes, de mãos vazias, molhados e cansados.
Hoje, apenas restam estes meus pensamentos,
Pois o tempo levou a realidade desses momentos,
Ficando as suas casas, tristes e abandonadas…
Algumas, já num monte de escombros se tornaram,
Outras, compradas pela estranja, que as recuperaram,
Servem de consolo á vista e lembram as vidas passadas.
… e hoje, nas casas que vejo no meu deambular,
Olho as açoteias que o sol continua visitando…
Só que por lá, já não vejo a roupa enxugando,
Pois quem lá mora, já tem máquina p’ra secar.
(J. Carlos – Fevereiro 2016)
Imagem da Net
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